Criando acasos

(ou não)

Cansaço paulista

Publicado por Kathia em 23/11/2009

Acho que o título poderia ter um apelo mais forte, algo do tipo ‘saco cheio mode on’. Aliás, textos que misturam palavras em inglês e português cansam.

São Paulo é uma cidade grande demais e chata demais. Há tantas opções que eu acabo não fazendo nada. O teatro é longe, o metrô é lotado, mesmo nos finais de semana. A fila do cinema do Eldorado é tão grande que parece que estão distribuindo prêmios.

Cansei de procurar um apartamento SEM ‘terraço gourmet’. Afinal, eles tiram 50 metros da sala para colocar no ‘cantinho culinário’. É assim que eu gosto de chamar, bem em português mesmo, contrariando o gosto dos infinitos empreendimentos imobiliários que não cabem no bolso, muito menos no trânsito.

Como bem escreveu a Nitya, querida companheira de blog, esses prédios vão nos engolir. As pessoas vão nos engolir, com sua falta de educação e respeito. Você fica esperando o metrô perto da plaquinha azul no chão, e quando o trem chega, sempre tem um idiota espertalhão correndo pra passar na frente.

O que dizer do trânsito? A cada dia pior, e no fim do ano extrapola os limites do insuportável. O céu está azul ultimamente, mas fica cinza da janela do escritório.

Cansei de ter medo de ir para o quinto assalto – isso mesmo, já fui assaltada quatro vezes. E sempre que vejo os folhetos das lojas de eletroeletrônicos, há um novo celular, integrado às “redes sociais”. Essas redes que me tornam a cada dia mais anti-social e sem vontade de sair de casa e nadar de braçada no mar de gente.

Tenho medo de andar na rua falando ao telefone, ouvindo música ou me distrair. Tenho raiva de desconfiar de todos. Tenho mais raiva ainda de gente que não entende a mensagem: ‘fone de ouvido = não fale comigo’.

Também cansei de viver nessa cidade GIGANTE com alma de cidade pequena.

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Brasil: um país quente, mas morno

Publicado por Kathia em 11/11/2009

lei-antifumoEm maio, quando a lei antifumo foi finalmente aprovada, a maioria dos fumantes entrou em pânico. Não só eles, mas também os donos de estabelecimentos, temendo a perda da freguesia adepta do fumaceiro.

No dia 6 de agosto, às 23h59, fumantes davam os últimos tragos dentro de baladas e bares: era o fim da fumaça privado-coletiva, pelo menos em São Paulo.

O que mais assustou o brasileiro não foi exatamente a lei. Pois há infinitas leis na Constituição, e os crimes continuam acontecendo. Assim como a “lei seca”, a multa para quem desse só um ‘traguinho’ ou tivesse um miligrama de álcool no sangue é alta.

Quase que pela primeira vez, via-se uma lei realmente radical. Para um país que está acostumado a coisas mornas e brandas, é um passo gigante. Hoje, três meses após a lei antifumo entrar em vigor, retomei o gosto por sair de casa. O cabelo volta cheiroso do barzinho, igual à roupa nova. Meu travesseiro não cheira mais a cigarro de sábado para domingo.

Vi uma pessoa fumar dentro do bar, e logo foi repreendida pelo segurança. Achei ótimo. Para se viver em sociedade, é preciso respeitar o coletivo. Finalmente uma lei tão quente quanto as cinzas de cigarro que já me queimaram enquanto eu cruzava a pista de dança.

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Entre calçadas

Publicado por Nitya Rios em 10/11/2009

 A multidão de prédios vai me engolir neste desespero do dia a dia. Em meio ao emaranhado de pessoas, sinto-me só. E aquele sentimento me vem. Aperta o peito, como mãos cumprimentando fortemente o coração – um aperto de mãos vingativo. Ando pela Avenida Paulista.

Gravatas apressadas, mãos levando unhas pintadas num rubro-cheguei a balançarem com insistência junto aos corpos que andam. Fumaça de cigarros embolam o ar. Gás carbônico a sair dos motores, fresquinho… acabou de queimar.

É manhã de verão. Nada de areia ou banhos de sol. A brisa [aqui] é urbana. Cheiro de trânsito faz bem aos atrasados. Na verdade, é um vício. E como todo bom vício, deve ser mantido com certa periodicidade, um engarrafamento aqui, um acidente acolá. Vamos nos informando pelas bancas, deixadas para trás sem um adeus.

Indiferença demais. Tantos nos atropelam receosos com a enfadonha frase matinal de seu chefe que – a certo ponto – olho-me no espelho para comprovar que sou real. Não vejo nada. E ninguém vê também. E isso é normal, é tão normal que ele fez a última refeição há três dias, e você não sabe. Ela, a de cabelo curto, brigou com o noivo, já saiu com o vizinho e não se lembra onde deixou o isqueiro da sorte. A garota de botas pretas está com notas ruins em duas matérias na faculdade, mas ela em liga. Ele assumiu que é gay, está procurando um apartamento e se sente horrível com esta calça jeans. O cachorro não é da advogada que brinca com ele, é do senhor de suéter verde que leva o animal todos os dias para passear, enquanto a esposa faz quimioterapia. Recebendo trocado nas ruas, o atual moto-boy comprou seu veículo. A gola engomada do bancário foi passada pela empregada e arrumada no corpo pela amante carinhosa. Pequena e bonita, ela estuda no período da manhã porque gosta de tempo livre à tarde.

O destino final é só. O caminho também. Mas, prefiro o caminho. Nele, podemos respirar desejos, aspirar sonhos, sentir medos, mentiras, realidades.

As calçadas estão fardas das pessoas que a pisam pra cá e para lá. A manhã é curta, o tempo vai embora. Resta-nos o esperar do amanhecer. Espero mais uma caminhada, mais uma solidão, mais um ir e vir constante de vidas a me frescar o esqueleto.Caminho pelo calçadão Paulista.

avenida_paulista

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Passos

Publicado por Nitya Rios em 04/11/2009

Autor: Felipe Gil

Texto gentilmente cedido pelo talentonso historiador e estoriador colega de outrora.

 

Duzentos e noventa e oito, duzentos e noventa e nove, ufa, trezentos.

Não é sempre que, aos seis-anos-quase-sete, tem-se uma sensação tão completa de dever cumprido. Algo que pouco mais de meia hora andando na areia haviam causado nesta menina. E olha que foram necessárias várias tentativas antes de conseguir manter a conta por tanto tempo. Algumas conchinhas eram tão bonitas. Algumas, ela sabia, eram bem feias, mas seria muita injustiça abandoná-las sozinhas na areia por causa de um detalhe bobo desses.

Quase ao mesmo instante ela percebeu. Tivesse avistado aquela geléia branca alguns metros atrás e lá se iam quase trezentos passos cientificamente contados. Ciente da sorte que tivera, e ainda gozando de ter comprido seu dever mais importante até então, a menina pode se dedicar inteiramente aquela descoberta.

Isso sim, devia valer até algum prêmio. Poucas pessoas deviam ter encontrado geléia na praia. Caso contrário, ela ia ficar sabendo. Sua mãe já teria dito. Pelo menos ela nunca viu pra vender nos carrinhos. E ela sempre reparava em tudo.

Parecia feito de luz. Mas um luz mole. Achopés que era uma luz meio águatica – e sorriu da melhor definição que ela, ou qualquer um, poderia fazer da geléia. Por uns segundos ficou quase decepcionada por não haver ninguém no espaço de um grito para dividir aquele achado, sem dúvida, dos mais importantes de todo o universo. Mas que logo foi substituída por uma felicidade um pouco que egoísta. Aquilo era só dela. Uma luz feita de água. Com certeza isso devia servir pra muita coisa.

E era a coisa mais bonita que ela já tinha visto na vida. Quase como quando sua mãe, que estava sempre ocupada, começava a rir muito. Se era então por algo que a menina havia dito, só isso até agora se comparava com aquela coisa de luz mole.

Então um espanto maior, a geléia se movia. E não eram as ondas, agora ela tinha certeza. E, para ter certeza, ainda esperou mais um pouquinho…

_Alá, ela mexe – constatou deslumbrada para si mesma.

Como se não bastasse a luz ser de água, ela se mexia também.

_Tá viva!!

Mas espera um pouco… se é uma luz de água, e está viva… de água… ela vai morrer na areia! E não conseguiu se decidir se estudava mais ou se salvava a geléia.

_Aiaiai.

Decidiu-se pelo sacrifício. Era melhor perder a luz que deixar ela apagar. Também, de que ia servir uma luz apagada? E foi salvar aquele negócio, pronta pra devolvê-lo ao mar. Se ele morasse no céu, do mar pelo menos ele ia saber chegar lá.

Mas alguma coisa parece que entrou pelo seus dedos, e correu até o braço, antes que ela pudesse começar a chorar. Tava doendo. Tava doendo muito. E chorou com muita força. Ela sabia que a mãe não ia ouvir. Ninguém podia ouvir. Pensando nisso, o choro foi sendo engolido. Será que era isso que a mãe falava que era engolir o choro?

E aquela droga ainda estava lá. Se ela não queria ajuda – e a menina bem sabia que aquela coisa precisava – azar o dela, ia morrer de secura na areia. Ela nem ligava. E ficou olhando pra geléia. E tentou pensar em alguma coisa pra olhar enquanto a geléia morria.

Quem ela queria enganar? Ela nunca ia conseguir deixar a aquela luz morrer. E se ela machucasse porque tava morrendo? E ela era bonita demais. Era triste de tanto que era bonita. A luz tinha de ser salva. Mas também não podia doer. Doía muito, e mesmo que ela quisesse ela não ia conseguir.

Com uma pressa que pouco combinava com sua sede de ver, correu sem saber o que queria. Um galho! Isso tem que servir. E voltou-se para sua amiga para levá-la para casa. Um pouquinho pra cá, segura daqui.  Mas a luz era mesmo muito mole.

_Como que eu vou…ai não… – Aquele frio na barriga de novo. Aquele quando tinha tarefa e ela não fazia. Só que dessa vez mais forte. O que tinha que salvar a luz atravessou toda sua moleza. O bichinho morreu se mexendo por mais tempo que um bicho morrendo devia se mexer. Mas ela sabia, era só uma questão de tempo. E era tudo culpa dela.

Pela primeira vez não teve vontade de se explicar. Nem de procurar algum motivo que removesse dela aquele peso. Bem mais pesado que os outros que ela havia sentido. Era culpa dela, e ela sabia. Nenhum carinho, nem uma palavra, nem sua mãe poderiam tirar aquilo.

Ela então entendeu porque algumas coisas eram só pra quando for mais velha. E envelheceu.

Nada mais a ser feito.

Trezentos e um, trezentos e dois, trezentos e…

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Decepção da semana: O Procurado

Publicado por Kathia em 03/11/2009

o procuradoEste filme foi a minha decepção do fim de semana. Mais um filme ruim de Angelina Jolie. Aliás, gosto muito dela, mas nesse filme, está sempre com a mesma expressão. Versatilidade zero.

Sinopse

Wesley Gibson (James McAvoy) é um gerente de contabilidade fracassado. Se considera um inútil e tem uma vida monótona. Até ser encontrado por Fox (Angelina Jolie) para vingar a morte de seu pai.

Crítica

Se você gostou de Matrix, com o Keanu Reeves desviando de todas aquelas balas e toda aquela surrealidade, talvez você goste de “O Procurado”.

Dica: abstraia mesmo! Os efeitos são surreais e desafiam qualquer lei da física, com balas curvas e tudo mais.

O fim da história é patético. James McAvoy não segura o papel principal. É só um rosto bonitinho (bonitinho mesmo, não bonito), que talvez se desse bem num teste da Malhação.

Tudo bem que o cinema não é realidade, mas… Não precisava ser tão inverossímel.

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Uma bala perdida no coração do Rio

Publicado por Kathia em 28/10/2009

capa veja

Capa revista "Veja" de 01/06/1988

Os conflitos armados nas favelas do Rio de Janeiro foram tema de uma reportagem do jornal “El País” deste domingo (25). O repórter Bernardo Gutiérrez faz um gigantesco levantamento de um dos maiores problemas do estado brasileiro: a violência. A publicação espanhola cita logo na abertura que a candidatura brasileira às Olimpíadas emocionou, mas é preciso superar a sua maior fraqueza, que é a falta de segurança.

Segundo o Instituto de Segurança Pública, nos últimos três anos, foram contabilizadas 739 balas perdidas nas favelas do Rio de Janeiro. 56 pessoas morreram, incluindo Ana Cristina do Nascimento, de 24 anos, assassinada no mesmo dia em que a reportagem do jornal espanhol foi publicada. A mesma bala que a atingiu acertou em cheio as costas de sua filha, um bebê de apenas 11 meses, que permanece em estado grave.

Além da violência provocada pelos traficantes em disputa territorial pelo controle do tráfico, a população convive com as mortes provocadas pela polícia. Tim Cargill, da Anistia Internacional, diz que o órgão é responsável por um em cada sete homicídios. E os dados da Secretaria de Segurança Pública confirmam. Somente no ano passado, 7.089 pessoas foram mortas em todo o Estado do Rio de Janeiro, sendo mais de mil vítimas da Polícia Militar.

Estima-se que 100.000 pessoas trabalhem para traficantes no Rio. Uma delas é um adolescente de 15 anos, que revelou à reportagem do “El País” pagar R$ 25 mil por semana para subornar a polícia. De 2003 a 2008, foram expulsos 1.245 policiais corruptos.

Outra questão levantada pelo jornal é o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Complexo da Maré. Com 113 mil habitantes, apresenta um IDH de 0,722. A expectativa de vida no local é de 66,8 anos, a mesma de Alagoas, Estado com o pior desempenho em todo o país. No bairro de Ipanema, o IDH chega a 0,962, número equivalente ao registrado na Austrália, que obteve a terceira colocação no ranking de 177 países.

No início de outubro, o vice-governador do Estado, Luiz Fernando Pezão, apresentou à ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, um pedido de recursos do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC). O valor da proposta é de R$ 1,3 bilhão para acabar com vinte favelas das 700 favelas existentes nas zonas sul, oeste e norte. Há 20 anos, eram 300. A solicitação foi feita pouco antes do anúncio do Rio como sede das Olimpíadas de 2016.

O governador Sérgio Cabral afirmou em Copenhague que a Olimpíada de 2016 “será segura”. E a cidade está disposta a pagar caro por isto. De acordo com o COI – Comitê Olímpico Internacional -, os custos com segurança para o maior evento esportivo do mundo podem chegar a R$ 1,38 bilhão. E a cobrança virá de todas as partes do mundo, não só dos espanhóis derrotados na escolha da cidade-sede.

Link para a matéria do El País (em espanhol)

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Inspiração

Publicado por Kathia em 22/10/2009

Ilustração: Didiu Rio Branco

Ilustração: Didiu Rio Branco

Para escrever um texto, não necessariamente um bom texto, é preciso inspiração, muita inspiração. Tem clichê pior que final de novela da oito da Globo e cronistas dizendo que estão sem inspiração?

Pois é, aconteceu comigo. Já faz algum tempo que não consigo postar nada de relevante, nada de especial. Para onde foi a inspiração? Na calada da noite, saiu do meu quarto, atravessou as travas da porta da sala e se foi? Partiu para uma ilha deserta com um ganhador da Mega Sena? 

Ou será que ela se perdeu em todo o cansaço que tenho sentido nos últimos tempos? Ou quando passo raiva com as pessoas, estas que dizem que sinto inveja quando falo mal de qualquer coisa? Se sentiu pressionada e foi se tratar?

Acredito que todo jornalista ou estudante desta área tenha tido o problema de ver uma tela do word branquinha, esperando que letras se arrangem na tela para formar bonitos textos ou trágicas notícias.

A inspiração, assim como o dinheiro da conta corrente, as canetas Bic e os lacinhos de cabelo, some sem dar explicações. E a gente só sente falta quando ela vai embora. E quando está, não damos valor. Mal do ser humano.

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O amor acaba

Publicado por Kathia em 20/10/2009

Por Antonio Prata

broken-heartO amor acaba. Assim foi e assim será. Numa quarta-feira de cinzas, num sábado de carnaval. O amor se perde entre o rebolado de duas passistas, debaixo da saia da baiana, o bumbo ecoando as batidas que já não vem do coração. O amor encolhe, anoréxico, suicida-se de melancolia; acaba num átimo de infarto – “tão jovem!”, dirão -, ou aos poucos, pingando em lenta e imperceptível hemorragia, pálido amor; morre de velhice, de obesidade, de preguiça; o amor desaparece, no fundo de uma gaveta, entre cartas de amor e contas de luz de 1987. O amor embolora, cria fungos, amarela; acaba entre um sorriso e um soluço, no meio do filme, no cinema, no movimento da mão que busca a outra mão na poltrona, mas mão já não há; acaba no papel de bala amassado, metido no bolso: lá vai ele, tão frágil o amor; acaba no mesmo colo de sempre, na cama, no gozo, triste, na distância entre dois corpos dormentes, num cafuné estéril. Cadê o amor que estava aqui? O gato comeu, O ladrão levou, o anel que tu me destes era vidro e se quebrou, o amor q tu me tinhas, cadê meu Deus, o amor? O amor escorre, escapa, dissolve, seca, evapora-se de nós, pobres criaturas, “feitas para amar e sofrer por amor”; o amor acaba nas férias, na praia, no sol, em segundas-feiras cinzentas nos escritórios, em piscinas e cinzeiros, em abraços e ofensas, o amor acaba com ódio, acaba mesmo com amor, nem tanto, um tanto só de amor; acaba sozinho, culpado, acaba em conjunto, triste; esquece-se o amor, como uma musica de infância, uma tarde em que morremos de rir, uma cidade inteira onde já estivemos e já não está mais dentro de nós. Onde foi parar o amor? Foi-se embora para Paságarda, onde é amigo do rei (de nós certamente, já não é), fugiu para Maracangalha (com Amália?), aposentou-se em Beleléu, foi pro inferno, pro limbo, pro céu ou quem sabe, reside agora num baú, num sótão, numa rua calma de Santa Rita de Passa Quatro. O amor não escolhe o momento de terminar, vai-se no susto de um pôr-do-sol interrompido por uma buzina, no primeiro ônibus de manhã, é enterrado pela pilha de jornais atirados diante da porta, vai embora com a borra do café; “em todos lugares o amor acaba; por qualquer motivo o amor acaba; para recomeçar em todos os lugares. E a qualquer minuto, o amor acaba”.

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Spas por 60 reais!

Publicado por Kathia em 19/10/2009

spa

Essa é para quem anda estressado, cansado e precisa relaxar. Ou seja, quase todo mundo.

De 17 a 31 de outubro, é possível agendar tratamentos de beleza e relaxantes em diversos spas de São Paulo, por apenas 60 reais (cada tratamento). É necessário agendar.

Site: http://www.spaweek.com.br

Lista de spas participantes

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Obama, esse é o cara?

Publicado por Nitya Rios em 13/10/2009

Barack ObamaO Prêmio Nobel da Paz, para Barack Obama é, no mínimo, muitíssimo prematuro, para não dizer, oportunista. Há poucas semanas, o lingüista Noam Chomsky escreveu um artigo no New York Times sobre a militarização da América Latina. Como lembra a Agência Carta Maior não só contabilizou as sete bases navais, aéreas e do Exército americano na Colômbia como mostrou a presença geral dos EUA na América Latina: as bases militares em Guantánamo (a mais conhecida), Honduras, El Salvador, Manta (Equador) e Aruba-Curaçao. São eixos do presente herdados de uma década de aumento da ajuda militar e de treinamento de oficiais latino-americanos, em táticas leves de infantaria para combater um ‘populismo radical’. “O treinamento militar está sendo transferido do Departamento de Estado para o Pentágono, eliminando regras quanto aos direitos humanos e a democracia antes sob a supervisão do Congresso que, embora fracas, pelo menos impediam algumas das piores violações”. Belo enrosco. Fora isso, está no colinho dele resoluções decentes como, por exemplo, os escândalos da invasão ao Iraque, pais soberano e de governo que era legítimo. Sim, aquele mesmo, do sr. Saddan Houssein.

 

Fora o Afeganistão etc… São milhares e milhares de mortos em frias estatísticas, porque são médio orientais, não ‘cidadãos do primeiro mundo’. Tem ainda (já que são o ‘xerife do planeta’), como obrigação ancestral, que interceder na África, continente há décadas assolado por guerras civis, com milhares e milhares de mortos, que o ‘ mundo todo’, aquele coberto pela CNN, CBS e afins, pouco se recorda, porque também são cidadãos (?) de outra categoria bem menos qualificada. Sem contar as questões internas de seu país, como o problema da poluição ambiental, da saúde pública e o clima ‘antiterrorismo’ que cai na cabeça dos árabes e descendentes que vivem dentro de seu território, assim como uma luta mais evidenciada pela condição dos seus black brothers nos EUA que, segundo consta, ainda são o maior número em termos proporcionais da população encarcerada. Chomsky, através da Carta Maior, lembra que Obama acaba de fazer um acordo secreto com as companhias farmacêuticas para assegurar-lhes que não fará esforços governamentais para regular o preço dos medicamentos. Os EUA são o único país no mundo ocidental onde não se permite que o governo use seu poder de compra para negociar o preço dos medicamentos. Cerca de 85% da população se opõem, mas, e daí, não é? Entre outras coisas… Esse Nobel da Paz, no mínimo, foi muito precoce, muito marketeiro para ambos os lados, o da Casa Branca e da academia sueca. Porém, vai vender muita revista, muita camiseta, imagem em telejornais aos montes etc. Bom rapaz, educado, charmoso. Todavia, acima de tudo, presidente dos EUA. “Yes, We Can”. Mais do mesmo. Tudo certo como dois e dois são cinco…

 

São Paulo, 9 de Outubro de 2009

 

Por José de Almeida Amaral Júnior

Professor universitário em Ciências Sociais
Economista, pós-graduado em Sociologia e mestre em Políticas de Educação
Colunista do Jornal Cantareira – Vila Brasilândia, movimentos sociais da Zona Norte paulistana

Escreve semanalmente para o Jornal Mundo Lusíada

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