Quebrar concreto para libertar idéias!

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Movimento Jardinagem Libertária espalha verde pela cidade e difunde consciência urbana

Na mente a idéia de mudar a paisagem urbana e nas mãos poucas ferramentas: pás, regadores e muita boa vontade. É dessa forma que alguns brasileiros plantam árvores e flores pelos jardins de suas cidades,  modificando para melhor os espaços públicos. Esse é o princípio da Jardinagem Libertária, conceito criado em 2004 com o britânico Richard Reynolds, movimento também conhecido como Guerrilla Gardening (www.guerrillagardening.org). Reynolds começou a plantar flores secretamente e solitariamente durante a noite no jardim de seu prédio em Londres e usou a web para para registrar suas investidas  e ensinar aos interessados. O site virou um ponto de encontro no mundo inteiro, usado para compartilhar experiências e técnicas. É também através da internet que os participantes se reunem para participar de mutirões ecológicos, bicicletadas e realizar a confecção de mudas. Com esse “empurrãozinho” virtual, a jardinagem libertária consegue propagar as idéias do grupo e reunir novos aliados que querem ensinar e aprender juntos. Reynolds também lançou o livro “On Guerrilla Gardening” (Ed. Bloomsbury, importado, ainda sem tradução no Brasil), que traz histórias, relatos, dicas e experiências.

O objetivo de cada integrante é plantar sementes e mudas em terrenos abandonados, praças e canteiros, tornando-os mais agradáveis, alegre e saudáveis. No Brasil, um dos grupos mais atuantes é o de Curitiba, mas outras cidades também paticipam: Campo Grande, Porto Alegre, São Paulo e Rio de Janeiro. As ações são descentralizadas, espontâneas e muitas vezes realizadas de forma individual, sem que a pessoa tenha ligação com outras do movimento, embora todas compartilhem um mesmo ideal: deixar a cidade mais verde sem pedir autorização para ninguém.

Exemplo disso, é Fernando Augusto Cardoso, 24, morador da Vila Guilherme, responsável por transformar terrenos abandonados do seu bairro em lugares floridos, agradáveis e mais seguros, não só para ele, mas para toda a vizinhança. “Faço o que acredito, pego a bicicleta, algumas mudas que fiz em casa e as levo para a rua, para elas seguirem o caminho delas, e viverem não mais com a minha ajuda, mas com a ajuda das abelhas, das moscas, dos pássaros, das pessoas, da chuva, do sol. A prática é tão normal que eu não considero como uma ação, eu considero como realmente viver, contrapor a semana em que fiquei o tempo inteiro em uma rotina muito próxima da alienação”, explica.
 

“A idéia é de plantar não só para mim, a planta não serve apenas de minha propriedade ou de minha fonte de produção. As mudas de arvores e plantas que coleto podem presentear um amigo, um vizinho doente ou alguém que precise de um pouco mais de flor e de vida”, diz Fenando Augusto, que aprendeu a plantar com sua avó em suas viagens para o interior, em Aguaí. Foi a partir daí que ele começoou a se interessar pelo cultivo de plantas e novas formas de se relacionar com o mundo.

Passar adiante o respeito com plantas, animais e a sociedade é o principal benefício da Jardinagem Libertária. A coordenadora de marketing Patricia Melo é moradora da região central de São Paulo, próximo a um local que recebe ações do grupo. “As iniciativas deles são sempre bem vindas. Além de deixar o espaço mais bonito, contribuem para a segurança, porque eles tiram todo o lixo que alguns moradores não se conscientizam e deixam nesses terrenos. Quando temos um membro da comunidade participando dessas ações, os outros moradores respeitam mais e contribuem para que nada seja depredado”, conta.

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