O bairro da Liberdade ou ‘Tia, dá uma moeda?’

O bairro da Liberdade guarda muita história. O nome vem da época da abolição da escravatura. Por volta de 1770 (século 18), já existia no local um cemitério para enterrar os escravos.

Em 18 de junho de 1908 chegava ao Porto de Santos o navio Kasato-Maru, trazendo os primeiros imigrantes japoneses: 782 no total. Deixaram o porto de Kobe para plantar café no interior de São Paulo. Insatisfeitos com a vida rural, nos anos seguintes, muitos japoneses foram para o local, para viver no centro urbano.

A Liberdade ainda possui fortes traços da cultura japonesa, perceptíveis nos postes, prédios, na feirinha e inúmeros restaurantes da autêntica comida oriental.

Igreja da Liberdade

Igreja da Liberdade

Mas ultimamente, o bairro, uma das maiores atrações turísticas da capital paulista, tem se tornado abrigo para muitos moradores de rua.

 – Tia, dá uma moeda?

Esta é a frase que mais ouço enquanto caminho na calçada da avenida da Liberdade. Sempre atrasada para a aula, sou interrompida a cada três passos por alguém pedindo dinheiro. São meninos e adolescentes de rua, mães com filhos pequenos e idosos.

Na rua Condessa de São Joaquim, todos os dias, por volta das 19h, uma fila de moradores de rua se forma em cima da ponte. Não sei por qual motivo, se esperam uma van para levá-los a algum abrigo ou apenas conversam e fumam (ontem mesmo vi um fumando algo que não era cigarro, em plena luz do dia…).

Não se pode nem andar comendo.

– Tia, dá um pouco do seu milho? Tia, dá uma bolacha?

Já pediram até minha blusa. Já tentaram roubar a minha bolsa. Os meninos de rua ficam em frente às lojas, esperando alguém sair e dar-lhes uma moeda.

Confesso que tenho dó. Fico me imaginando naquela situação, ou alguém da minha família. Mas isso acontece todos os dias! Repito: todos os dias.

Imagine se a cada dia eu doar R$ 1,00 para cada menino que pede (em média, dois por dia). Isso dá R$ 10 por semana, R$ 40 por mês e R$ 480,00 por ano (!!!).

Isso sem falar nos ‘flanelinhas’ ou guardadores de carro, presentes em todas as esquinas.

Longe de mim querer julgar os motivos para eles estarem lá. O Brasil é cheio de desigualdades sociais, apesar de bater recorde atrás de recorde na arrecadação de impostos. O fato é que eu cansei de pagar – literalmente – por isso.

2 respostas para O bairro da Liberdade ou ‘Tia, dá uma moeda?’

  1. Nitya Rios disse:

    Não se pode dar esmola! É um ciclo interminável. Vamos supor que por dia ele consiga que 50 pessoas lhe deem R$1,00 cada. Esmolando de segunda a sexta, durante 1 mês, resulta em um “salário” no valor de R$1.000,00. Livre. Sem descontos. Sem tributos. Sem contar o fato do dinheiro servir para sustentar vícios. Essa desigualdade social irrita a qualquer um.

    • Kathia disse:

      Nossa, nem me fale… Se eles estão ali, é pq alguém paga, não é verdade? Ontem um cara me acordou no ônibus para pedir dinheiro. Já pagamos impostos demais, não aceito pagar isso tb!!! Vê se pode? Tanta gente que trabalha o dia inteiro e não ganha o que eles ganham… É o fim…

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