Alguns comentários relevantes

Sobre a não obrigatoriedade do diploma de jornalismo.

Lendo alguns comentários no Blog do Paulinho, me deparei com uma opinião absurdamente ridícula à respeito dessa questão.

http://blogdopaulinho.wordpress.com/2009/06/19/jornalismo-de-faculdade-vs-jornalismo-de-verdade/#comment-108602

Paulinho, nada pessoal, mas penso eu, que você não pode tratar desse assunto com tamanha desconsideração. Primeiro, porque você é estudante de jornalismo e segundo porque estuda em uma faculdade que nem de longe é modelo para ser parâmetro do que é de verdade um curso de jornalismo.

Eu poderia colocar aqui inúmeros caracteres sobre esse assunto, mas os posts abaixo, o fazem perfeitamente:

“Nas salas de aula já é condicionado a se submeter aos desejos da grande mídia em detrimento de sua função primária que é a de servir a população”.

Baita mentira a citação acima. Já tive aulas com o excelente Claúdio Tognolli, que insiste com seus alunos que jornalismo bom é jornalista processado, pois esse é o cara que investiga, que incomoda, que denuncia, além de ensinar técnicas de jornalismo. Generalizar dessa maneira é cometer ato preconceituoso com todas as instituições de ensino do país.

Dizer que a decisão de Gilmar Mendes e outros sete idiocratas (com excessão do ministro Marco Aurélio), foi uma decisão brilhante é de envergonhar qualquer leitor deste blog. Foi um verdadeiro espetáculo circense, com argumentos faláciosos de que a liberdade de expressão é cerceada se o cidadão não diplomado não possuir o direito de trabalhar como jornalista. E isso é pura mentira, e acho que nem preciso explicar a razão.

Não existe essa divisão de Jornalismo de Faculdade vs Jornalismo de verdade. O que existe é jornalismo. Agora é esperar para ver como se comportará o mercado de trabalho com relação a “brilhante” decisão do STF.

Mas uma coisa, pelo STF, já ficou clara. Chef de Cozinha e jornalista são profissões semelhantes.

Teria sido essa também uma afirmação brilhante ?

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Paulinho, discordo de você e de outros que concordam com essa aberração que os juízes do tribunal cometeram, eles simplesmente jogaram no lixo o esforço de milhares de pessoas que gastaram tempo e dinheiro para sentar numa cadeira de faculdade e agora sabem que qualquer zé mané pode ser o que eles lutaram com muito suor para ser e conquistaram esse direito de forma digna, dentro do conceito da lei, isso é um estímulo a vagabundagem, vadiagem, é como ganhar um jogo no tapetão, sei que tem pessoas boas no meio e não são formados mas essa ação dá direitos iguais a todos os aventureiros de plantão, lamentável a posição do STF que deu mais uma bola fora, daqui a pouco vamos ver pedreiro fazendo cirurgia do coração no Incor. Paulinho, mas não era você que até poucos dias atrás questionava esse mesmo tribunal de araque? Abraços!!!

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Bom dia,
Como jornalista formado em 2006, em minha opinião a decisão do STF é um retrocesso para a profissão e para o jornalismo como um todo. Acredito que a não exigência do diploma colabora para acentuar a informalidade trabalhista que se implantou no setor. Concordo que os cursos de jornalismo são deficientes e que o simples fato de alguém se formar não quer dizer que será um bom jornalista. Assim como ocorre com médicos, advogados, administradores, publicitários etc..
Creio que a discussão teria que ser no sentido de melhorar os cursos de jornalismo e consequentemente melhorar a qualificação profissional de repórteres, editores, colunistas etc.. Aos que dizem que jornalistas possuem um sindicato fraco, constatação que eu concordo, devem levar em conta que a decisão do Supremo em nada ajuda na mudança desse quadro. A falta de exigencia de um diploma, no meu modo de ver, pode implicar em um processo de desprofissionalização do setor, que poderá a levar a perda dos poucos parâmetros profissionais conquistados como teto salarial entre outras.
Não consigo enxergar em que a não exigência do diploma pode ajudar a melhorar a qualidade do jornalismo. Essa não obrigatoriedade irá afastar os maus profissionais ou apenas aumentar a desqualificação e falta de conhecimento de quem trabalha com jornalismo? Se hoje vemos profissionais que escrevem mau, sem conhecimento histórico e poucos informados trabalhando em diversos veiculos, como será agora? Sem falar que um jornalista deve ter noções técnicas de redação, edição, fotografia, saber analisar o que é ou não noticia..Ou seja, técnica, aspecto que se aprende em um curso, que deveria ser aperfeiçoado, melhorado e não apenas extinto.
Enfim, na minha opinião, não sei o que há para se comemorar.

Uma resposta para Alguns comentários relevantes

  1. Nitya Rios disse:

    Paulinho, perdoe-me, mas discórdia é fundamental para a formação de uma sociedade argumentativa. Sociedade a qual precisa de conteúdo. Uma ofensa a nós, estudantes, e a qualquer outro graduado. Ao invés de exigir mudanças no ensino, melhorias nas faculdades, tiram-nos o direito de exercer a profissão diplomados? Ora, conveniente não? Começamos pelos jornalistas, profissão que mais nos incomoda, que nos ameaça. E depois? Depois tiraremos o diploma do engenheiro? Do médico? O diploma não torna um médica apto a salvar a vida. Mas seu estágio como interno, residente, essa experiência o faz honrar o diploma. Nenhum jornalista deve aceitar esse descaso com a profissão!

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