Acasos de Marina

Dentre algumas desventuras memoráveis, Marina julga particularmente esta como essencial ao aprimoramento de sua filosofia.

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"...era cedo ainda quando..."

Era cedo ainda quando nossa protagonista saiu pela capital paulista com sua amiga loira, a entrar em apartamentos desconhecidos na vã ilusão de [nestes] encontrar o mesmo aconchego familiar, tão aguçado na cidade onde nascera – lá para o interior de São Paulo.

Não sabia ao certo o que mais lhe chocava. A indiferença diferente dos anfitriões, ou existirem anfitriões que se sujeitavam a tais situações, como alugar um quarto do seu imóvel e alocar um estranho em sua rotina.

Marina não sentiu medo, tampouco a amiga loira. Marina sentiu pena. Mas não queria sentir pena. A pena é algo tão horrendo. Tem-se pena de um cachorro a ladrar de fome, ou de uma criança a vender guloseimas no semáforo.  Então por que sentiu pena dos locatários? Algo como perda, solidão, dificuldade, talvez conclusões parecidas levavam Marina à pena divina.

idosa[1]

"...perceber que milhares de idosos anônimos..."

Triste demais perceber que milhares de idosos anônimos se veem obrigados a alugar algo tão pessoal. É como alugar sua liberdade num único valor, incluso água, luz e gás. Senhoras gentis, carentes de atenção – ou de netos. Sem saber os motivos aos quais os donos dos imóveis foram sujeitos, Marina apenas sorriu e desejou que a solidão não existisse. Não a eles. Nossa garota ainda não alugou nada, ainda não se estabeleceu. Sabemos apenas que ela já orou por dias prósperos aos anfitriões.

PS 1: O Conto ainda é de terça, pelo menos fora escrito na terça…Por motivos diversos e insignificantes aos leitores, postamos quarta o conto que ainda é de terça.

PS 2: Leia outro conto com o desabafo de Marina aqui.

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3 Responses to Acasos de Marina

  1. Thaís disse:

    Também não consigo entender o porque que as pessoas fazem este tipo de coisa. Cade a familia, os filhos? Se algum dia você tiver uma resposta me conte amiga, gostaria muito de compreender tudo isso.

    Por outro lado…desejo muita boa sorte a Marina, espero que ela nos conte coisas boas quando alugar um apartamento..rs
    Beijos

  2. Kathia disse:

    Aguardo os próximos capítulos! Essa Marina, viu?
    Realmente é complicado (e desconfortável) alugar um quarto para um desconhecido, né?

  3. Laurye Borim disse:

    A loira sou eu??
    rrsrs

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