A (não) leitura no Brasil

Segundo dados divulgados pelo Ministério da Cultura e pelo Plano Nacional do Livro e Leitura – PNLL -, o Brasil está entre os oito maiores produtores de livros do mundo. Anualmente, são publicados cerca de 310 milhões de exemplares.

Ainda de acordo com o Ministério, o país possui um dos maiores programas de distribuição de livros do mundo, principalmente na educação pública. Os números são otimistas, mas os resultados não.

O brasileiro lê em média 4,7 livros por ano. Se desconsiderados os livros didáticos, o número despenca para 1,3. Atualmente, há 630 municípios sem bibliotecas, e a grande parte das existentes sofre com a falta de manutenção e atualização do catálogo. Em 2005, o diretor da Biblioteca Nacional pediu demissão, alegando falta de recursos para manter o acervo, em parte destruído por traças.

O IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – divulgou em agosto deste ano que a população brasileira é de 191 milhões. Destes, 16 milhões são analfabetos absolutos, e 30 milhões são analfabetos funcionais.

Mesmo sendo um dos maiores produtores mundiais de livros, o país enfrente uma má-distribuição dos títulos. Há uma alta concentração de livrarias nas regiões Sul e Sudeste, além da baixa tiragem de exemplares, o que resulta num preço final elevado ao consumidor. Um exemplar de Harry Potter, o quarto livro mais lido no Brasil, custa R$ 30,00. Na Inglaterra, o mesmo título sai por 5 libras – cerca de 15 reais.

Em outubro de 2007 o governo lançou o Programa Mais Cultura. Com investimento previsto de R$ 4,7 bilhões, tem como objetivo implantar bibliotecas em todas as cidades brasileiras, através da entrega de livros novos, DVDs e computadores. Espera-se que até 2010 pelo menos 4.500 bibliotecas sejam modernizadas e pontos de leitura instalados.

Mas a batalha contra o analfabetismo funcional e a falta de leitura não é tão fácil de ser resolvida. A baixa qualidade da educação e a falta de incentivo à leitura predominam no país, principalmente nas escolas públicas e em regiões carentes.

Não basta apenas implantar bibliotecas e locais destinados à leitura. É preciso uma forte política educacional, que incentive a leitura desde sempre. Só assim o país conseguirá sair da desanimadora 27ª posição, num ranking de 30 países estudados sobre hábitos de leitura.

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