Obama, esse é o cara?

Barack ObamaO Prêmio Nobel da Paz, para Barack Obama é, no mínimo, muitíssimo prematuro, para não dizer, oportunista. Há poucas semanas, o lingüista Noam Chomsky escreveu um artigo no New York Times sobre a militarização da América Latina. Como lembra a Agência Carta Maior não só contabilizou as sete bases navais, aéreas e do Exército americano na Colômbia como mostrou a presença geral dos EUA na América Latina: as bases militares em Guantánamo (a mais conhecida), Honduras, El Salvador, Manta (Equador) e Aruba-Curaçao. São eixos do presente herdados de uma década de aumento da ajuda militar e de treinamento de oficiais latino-americanos, em táticas leves de infantaria para combater um ‘populismo radical’. “O treinamento militar está sendo transferido do Departamento de Estado para o Pentágono, eliminando regras quanto aos direitos humanos e a democracia antes sob a supervisão do Congresso que, embora fracas, pelo menos impediam algumas das piores violações”. Belo enrosco. Fora isso, está no colinho dele resoluções decentes como, por exemplo, os escândalos da invasão ao Iraque, pais soberano e de governo que era legítimo. Sim, aquele mesmo, do sr. Saddan Houssein.

 

Fora o Afeganistão etc… São milhares e milhares de mortos em frias estatísticas, porque são médio orientais, não ‘cidadãos do primeiro mundo’. Tem ainda (já que são o ‘xerife do planeta’), como obrigação ancestral, que interceder na África, continente há décadas assolado por guerras civis, com milhares e milhares de mortos, que o ‘ mundo todo’, aquele coberto pela CNN, CBS e afins, pouco se recorda, porque também são cidadãos (?) de outra categoria bem menos qualificada. Sem contar as questões internas de seu país, como o problema da poluição ambiental, da saúde pública e o clima ‘antiterrorismo’ que cai na cabeça dos árabes e descendentes que vivem dentro de seu território, assim como uma luta mais evidenciada pela condição dos seus black brothers nos EUA que, segundo consta, ainda são o maior número em termos proporcionais da população encarcerada. Chomsky, através da Carta Maior, lembra que Obama acaba de fazer um acordo secreto com as companhias farmacêuticas para assegurar-lhes que não fará esforços governamentais para regular o preço dos medicamentos. Os EUA são o único país no mundo ocidental onde não se permite que o governo use seu poder de compra para negociar o preço dos medicamentos. Cerca de 85% da população se opõem, mas, e daí, não é? Entre outras coisas… Esse Nobel da Paz, no mínimo, foi muito precoce, muito marketeiro para ambos os lados, o da Casa Branca e da academia sueca. Porém, vai vender muita revista, muita camiseta, imagem em telejornais aos montes etc. Bom rapaz, educado, charmoso. Todavia, acima de tudo, presidente dos EUA. “Yes, We Can”. Mais do mesmo. Tudo certo como dois e dois são cinco…

 

São Paulo, 9 de Outubro de 2009

 

Por José de Almeida Amaral Júnior

Professor universitário em Ciências Sociais
Economista, pós-graduado em Sociologia e mestre em Políticas de Educação
Colunista do Jornal Cantareira – Vila Brasilândia, movimentos sociais da Zona Norte paulistana

Escreve semanalmente para o Jornal Mundo Lusíada

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