Uma bala perdida no coração do Rio

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Capa revista "Veja" de 01/06/1988

Os conflitos armados nas favelas do Rio de Janeiro foram tema de uma reportagem do jornal “El País” deste domingo (25). O repórter Bernardo Gutiérrez faz um gigantesco levantamento de um dos maiores problemas do estado brasileiro: a violência. A publicação espanhola cita logo na abertura que a candidatura brasileira às Olimpíadas emocionou, mas é preciso superar a sua maior fraqueza, que é a falta de segurança.

Segundo o Instituto de Segurança Pública, nos últimos três anos, foram contabilizadas 739 balas perdidas nas favelas do Rio de Janeiro. 56 pessoas morreram, incluindo Ana Cristina do Nascimento, de 24 anos, assassinada no mesmo dia em que a reportagem do jornal espanhol foi publicada. A mesma bala que a atingiu acertou em cheio as costas de sua filha, um bebê de 11 meses, que permanece em estado grave.

Além da violência provocada pelos traficantes em disputa territorial pelo controle do tráfico, a população convive com as mortes provocadas pela polícia. Tim Cargill, da Anistia Internacional, diz que o órgão é responsável por um em cada sete homicídios. E os dados da Secretaria de Segurança Pública confirmam. Somente no ano passado, 7.089 pessoas foram mortas em todo o Estado do Rio de Janeiro, sendo mais de mil vítimas da Polícia Militar.

Estima-se que 100 mil pessoas trabalhem para traficantes no Rio. Uma delas é um adolescente de 15 anos, que revelou à reportagem do “El País” pagar R$ 25 mil por semana para subornar a polícia. De 2003 a 2008, foram expulsos 1.245 policiais corruptos.

Outra questão levantada pelo jornal é o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Complexo da Maré. Com 113 mil habitantes, apresenta um IDH de 0,722. A expectativa de vida no local é de 66,8 anos, a mesma de Alagoas, Estado com o pior desempenho em todo o país. No bairro de Ipanema, o IDH chega a 0,962, número equivalente ao registrado na Austrália, que obteve a terceira colocação no ranking de 177 países.

No início de outubro o vice-governador do Estado, Luiz Fernando Pezão, apresentou à ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, um pedido de recursos do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC). O valor da proposta é de R$ 1,3 bilhão para acabar com vinte das 700 favelas existentes nas zonas sul, oeste e norte. Há 20 anos, eram 300. A solicitação foi feita pouco antes do anúncio do Rio como sede das Olimpíadas de 2016.

O governador Sérgio Cabral afirmou em Copenhague que a Olimpíada de 2016 “será segura”. E a cidade está disposta a pagar caro por isto. De acordo com o COI – Comitê Olímpico Internacional -, os custos com segurança para o maior evento esportivo do mundo podem chegar a R$ 1,38 bilhão. E a cobrança virá de todas as partes do mundo, não só dos espanhóis derrotados na escolha da cidade-sede.

Link para a matéria do El País (em espanhol)

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