Crise existencial inexistente

Não sei vocês, mas tive minha época de bicho-grilo que quer mudar o mundo. Acho que foi dos 13 aos 19 anos. Tempos de ler Nietzsche, Descartes, filosofar sobre a falta de sentido da existência, essas coisas. Acredito que quase todo estudante de letras tenha esse problema (fiz um ano e meio, tranquei, pois não queria ser professora).

Não significa que tentar, ser ou querer se tornar meio-intelectual, meio de esquerda, como diria o Antonio Prata, seja um problema de fato. É que a vida fica mais difícil se você achar que a culpa dos problemas da humanidade está na sua frágil existência e incompetência em mudar o mundo. Apenas isso.

Platão acreditava em um ser superior, que controla todo o universo. Deus? Alá? Edir Macedo? Ninguém sabe. Além disso, acreditava também na existência de uma alma imortal. Não sei se quando morrer “passarei desta para uma melhor”, mas naqueles tempos difíceis, tentava responder a essas e outras questões com ateísmo e indagações. Em meio às apostilas das massacrantes matérias do curso, misturavam-se revistas e livros de filosofia. Teorias existenciais tentavam explicar o inexplicável: como eu me sentia tão vazia e sozinha na companhia de tanta gente importante (Platão, Sócrates, Nietzsche e até Augusto dos Anjos)?

O grande problema foi que eu me fechei com tantas perguntas e não procurei respostas, nem permiti que me ajudassem. Calma, não estou falando que eu era uma adolescente deprimida, só tinha meus momentos. O óbvio é a coisa mais difícil de enxergar, sempre. Experimente colocar um objeto acima do seu nariz, o que você verá? Provavelmente um objeto acima do seu nariz, porém totalmente embaçado e impossível de ser identificado.

Talvez tenham sido somente crises adolescentes-comunistas, onde o sonho de ter nascido nos anos 50 e ter ido a um show do Beatles imperava, talvez tenha sido mais sério. Não sei. E essas duas mágicas, simples, sinceras e fascinantes palavras (não sei) me ajudaram – e ajudam – muito. Com elas, você pode perceber que não há respostas para tudo no mundo, e o melhor: você não precisa saber de tudo.

Hoje não posso ser pretensiosa e dizer que minha vida mudou completamente, que sou outra pessoa, que encontrei Jesus ou dou palestras motivacionais ao lado de Donald Trump. Apenas escrevo textos que talvez alguém possa se identificar e tento usar paradoxos e ironias nos títulos. E quem sabe convenço alguém de que ver comédias Blockbusters de vez em quando pode ser legal, mesmo com o livro “Humano, Demasiado Humano” escondido atrás do sofá.

4 respostas para Crise existencial inexistente

  1. Nitya Rios disse:

    Belíssimo!
    Ô menina inteligente essa que dá gosto de vê!

    beijos.

  2. Stephanie disse:

    Nossa, gostei muito do seu texto, de verdade (:
    Perguntinha: agora você está fazendo algum outro curso na faculdade?

    • Kathia disse:

      Estou no último semestre de jornalismo. O blog está desatualizado, em breve farei um novo, sobre variedades. Obrigada pelo comentário!

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